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Dia Internacional da Mulher – Força e determinação

Dia Internacional Mulher

Dia Internacional Mulher

O Dia Internacional da Mulher é o ponto culminante da luta iniciada no final do século XIX para alcançar igualdade de direitos e importância da mulher na sociedade moderna. Este é também o momento de homenagear sua feminilidade e delicadeza equilibradas pela força, que as permite suportar e vencer desafios.

No mundo do vinho, um exemplo contundente de tal força e determinação é a de Maria Luz Marin, proprietária e enóloga da Viña Casa Marin, no Chile. Marilu desafiou a todos que a desencorajaram em seu plano de plantar vinhas na região de San Antonio, dizendo a eles que era sim possível produzir bom vinho ali. Não só Marilu se tornou a primeira mulher a ser proprietária de uma vinícola no Chile, como também é responsável pelo Sauvignon Blanc considerado ícone deste país. Hoje, além da Viña Casa Marin, Marilu é presidente da Wines of Chile – organização responsável pela promoção dos vinhos chilenos ao redor do mundo.

Ainda no Chile, encontramos outros exemplos de enólogas jovens e cheias de energia para trazer seu olhar perfeccionista aos vinhos que produzem. Maria del Pilar Diaz é a enóloga responsável pelo inusitado projeto Volcanes de Chile, que tem por objetivo mostrar a influência dos mais de 2900 vulcões chilenos na qualidade das uvas. Um dos prazeres de Pilar é utilizar uvas que não são tradicionais no Chile, tais como a Carignan no seu Parinacota ou Petite Syrah no Tectonia Blend.

Também neste país, Carolina França é enóloga-chefe do Château Los Boldos desde 2014. Nascida na ilha da Madeira (Portugal), Carolina assumiu o Chile como pátria desde 2009, após casar-se com renomado enólogo chileno Renato Czischke. Sua atuação nesta vinícola trouxe vivacidade e frescor para os vinhos, tornando-os mais próximo ao paladar internacional sem omitir a força do terroir chileno.

Não faltam exemplos no Velho Mundo para ilustrar a presença da mulher na produção de vinhos. Miriam Caporali, cidadã romana e competente profissional do mundo corporativo, abriu mão de sua vida urbana para mudar-se à bellissima Toscana e assumir junto ao seu pai a Tenuta Valdipiatta. O vinho? Literalmente um dos mais nobres da Toscana: o Vino Nobile de Montepulciano que, no caso da Valdipiatta, conta com um rótulo raro feito de uvas provenientes de um único vinhedo – o Viña d’Alfiero – um exemplo majestoso desta denominação.

Em terras portuguesas, Beatriz Cabral de Almeida assumiu no Dão a vinícola responsável pela renovação desta região após anos de domínio das cooperativas que mantiveram a qualidade do vinho no nível mais baixo. A Quinta dos Carvalhais foi a pioneira na modernização de suas instalações e vinhedos, cujos vinhos viraram referência e hoje são produzidos sob o olhar atendo de Beatriz.

Fora da área de produção, porém mostrando competência acima de tudo, Jancis Robinson MW é inquestionavelmente a maior referência no mundo dos vinhos. Ela foi a primeira pessoa de fora do mercado de vinhos a passar nos extremamente árduos exames do Master of Wine. Autora do Oxford Companion of Wine, Jancis criou junto com sua assistente e braço direito, Julia Harding MW o principal livro de pesquisa do mundo dos vinhos, imprescindível na biblioteca de estudantes dos níveis mais altos de capacitação tais como o WSET Diploma, Master of Wine e Master Sommelier.

No Brasil, sommelières como Daniela Bravin, Gabriela Monteleone, Gabriela Bigareli, Lerizandra Salvador entre outras mostram sua competência na área de serviço, enquanto Suzana Barelli e Alexandra Corvo fazem um trabalho cuidadoso como jornalistas especializadas em vinhos.

Porém, um dos papéis cada vez mais desempenhados pelas mulheres é o de consumidoras. Cada vez mais o vinho faz parte de sua vida e, em alguns mercados, já são consideradas peça importante a ser impactada nas campanhas promocionais. O que assombrosamente ainda se mantém no imaginário comum é o clichê de mulheres só gostarem de vinhos ‘doces’ e ‘leves’. Será mesmo? Usando como base a diversidade de estilos produzidos pelas enólogas mencionadas acima, temos uma clara demonstração de como as mulheres não têm preconceitos na produção, quem dirá no consumo. Elas gostam sim de tintos estruturados e imponentes tanto quanto de brancos e rosés! Aqui vale a resposta que Paul Pontallier, enólogo do Château Margaux, deu ao especialista em vinhos Jorge Lucki ao ser questionado sobre a fama do Château Margaux em ser considerado o mais feminino dos Premier Crus Classés de Bordeaux: trata-se, na verdade, da diferença entre a força e a brutalidade.

por Bianca Veratti

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