0

O que é enologia? Entenda este conceito

Entenda o que é enologia

Há pessoas que acreditam que vinho é muito complicado e, por isso preferem outras bebidas “mais simples” de serem entendidas ou apreciadas. Porém, se analisarmos bem, não são somente os vinhos que têm esta característica. Qualquer que seja o assunto, quando começamos a nos interessar sobre ele, vamos perceber que são mais complexos do que imaginávamos.

Entenda o que é enologia

Entenda o que é enologia

Pensemos em queijos, por exemplo. Sabemos que existem vários tipos de queijo: o Minas, o Brie, Parmesão, Gorgonzola… Todos eles têm texturas, gostos e, mais ainda, métodos de produção diferentes. Porém, esta diversidade e complexidade não impede que você coma e adore queijo! O mesmo vale para a cerveja, o whisky, o gim, e tudo o que envolve o mundo dos alimentos e bebidas.

Mas por que o universo do vinho desperta tanta curiosidade e e tem tão vasta diversividade de sabores? O que é enologia e como ela pode te ajudar a escolher o melhor vinho para cada situação?

Portanto, o vinho é mais um elemento para entrar na sua “cesta básica” e ser consumido sem medo. Claro, que quanto mais sabemos, mais nos encantamos por ele, por isso, para te ajudar a entender mais sobre nossa bebida preferida, vamos a cada post falar brevemente sobre algum assunto deste mundo maravilhoso e o primeiro passo é entender o que é enologia.

O que é enologia?

A enologia tem dupla explicação conforme você poderá ver abaixo:

1. É a ciência que estuda o vinho. Ou seja, estuda tudo o que diz respeito ao tema, desde a plantação da vinha até o vinho propriamente dito.

2. Ao mesmo tempo, este termo é usado como sinônimo do processo de vinificação, que engloba os seguintes passos:

  • Esmagamento das uvas: depois de colhidas, as uvas são esmagadas para expor o açúcar da polpa às leveduras e provocar a fermentação;
  • Fermentação: as leveduras se alimentam do açúcar das uvas e, como consequência, seu metabolismo produz álcool etílico e gás carbônico, que se dissolve no ar. No caso dos vinhos espumantes, o gás carbônico fica retido no vinho e se apresenta como borbulhas no líquido;
  • Clarificação/filtragem e estabilização do vinho: estes são processo pós-fermentação, feitos com a finalidade de deixar o vinho livre de resíduos visíveis, com aspecto límpido e claro. Hoje em dia há produtores que fazem pouca ou nenhuma filtragem, deixando seus vinhos levemente turvos. Nestes casos, em geral, existe alguma notificação no rótulo ou descrição que deixa explícito que o vinho não foi filtrado.
  • Amadurecimento: pode ser em tanques de inox, de cimento, barris de carvalho, ou garrafa. Em cada um deles, o vinho vai evoluir de maneira diferente. Atente que não são só os vinhos que passam por barris de carvalho que têm alta qualidade. Existem muitos vinhos sem contato com madeira que são considerados alguns dos melhores do mundo, como os Rieslings alemães e Sauvignon Blanc neozelandeses.
  • Engarrafamento: é o processo final da produção do vinho, que o torna pronto para ser vendido ao consumidor. Há vinícolas ou regiões produtoras que guardam seus vinhos engarrafados por algum tempo, a fim de chegarem aos seus clientes no ponto correto de consumo. Este é o caso dos Riojas Reservas e Gran Reservas. Ao mesmo tempo, existem vinhos que são vendidos imediatamente após serem engarrafados, pois devem ser consumidos rapidamente para o consumidor usufruir de todo seu frescor e sabores frutados.

Agora que você entendeu um pouco sobre o que é enologia, aproveite para ver outros conteúdos que preparamos:

por Bianca Veratti DipWSET

0

Por que o vinho italiano se tornou o mais produzido do mundo em 2015?

Vinho italiano lidera produção em 2015

Quando pensamos em vinho é inevitável não se lembrar do vinho italiano e o francês como os potenciais melhores vinhos do mundo. A bem da verdade é que o termo ‘melhor vinho‘ pode ser um tanto questionada, começando com uma simples pergunta: melhor para quem?

Vinho italiano lidera produção em 2015

Vinho italiano lidera produção em 2015

Não adianta falarmos que um Barolo é o melhor vinho do mundo se quem vai consumi-lo não gosta de vinho encorpado, taninos marcantes e acidez alta! Não só a pessoa vai discordar, como questionará o alto preço do vinho, afinal um bom Barolo nunca é barato. A conclusão é simples: não necessariamente os vinhos mais famosos ou mais caros são os melhores e aqui acabamos caindo naquela frase que pode parecer politicamente correta, mas é totalmente verdadeira – o melhor vinho é aquele que você gosta.

Como vinho italiano liderou em 2015?

Voltando ao tema principal, ambos os países têm fama e tradição na produção de vinhos, sendo que também revezam anualmente o posto de maior produtor do mundo. Segundo a OIV – Organização Internacional da Vinha e do Vinho – em 2013 foi a Itália que ficou em primeiro lugar, enquanto a França ocupou o topo em 2014 . No ano passado, 2015, o vinho italiano voltou a ser o líder de produção com 48,9 mhl e é por isso que hoje vamos dedicar nossa atenção a Itália.

A Itália tem tradição em cultivo de vinhedos desde a Grécia Antiga e os Romanos já desfrutavam da famosa ‘dieta mediterrânea’, baseada em pão, azeite de oliva e vinho. Ao contrário de sua ‘rival’ francesa, o vinho italiano é produzido literalmente em todo o seu território – de norte a sul, de leste a oeste – sendo possível encontrar uma grande diversidade de estilos que vão desde espumantes (em todos os graus de doçura e complexidade) e brancos a tintos e passitos (vinhos de sobremesa feitos com uvas passas). Se você quiser explorar a variedade de uvas, certamente não se decepcionará: são mais de 2.000 variedades nativas, sendo algumas conhecidas desde a Idade Média, como a Barbera, Nebbiolo e Trebbiano.

Porém, é provável que vinhos italianos sejam mais conhecidos pelos ‘nomes’ de seus vinhos, tais como Chianti, Barolo, Valpolicella ou Prosecco, do que pelas variedades de uvas. Tais termos correspondem ao nome das regiões onde as uvas são plantadas e os vinhos produzidos – as famosas Denominazione di Origine Controllata (DOC) e Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG) – mas, na verdade, a coisa vai mais além. Para o vinho receber esta denominação, o produtor precisa seguir uma série de regulamentos rigidamente controlados, que determinam desde a uva permitida até a graduação alcoólica do vinho.

Com tantas regras, as DOC e DOCGs tinham por princípio criar o vinho italiano mais nobre, porém suas leis ultrapassadas e inflexíveis, e a tolerância por rendimentos generosos fizeram delas garantia de origem e não necessariamente qualidade. Isso levou ao nascimento dos vinhos desclassificados, cujos produtores preferiram não estar associados às DOCs, mas fazerem vinhos livres de tantas regras, porém com personalidade e qualidade diferenciada. Demorou um pouco, mas as autoridades italianas entenderam o recado e em 1992 foram criadas as IGT – Indicazione Geografica Tipica – que têm legislação mais flexível e moderna.

Com tanta diversidade de estilo, uvas e termos legais, a Itália pode ser vista como um paraíso dos amantes de vinho, mas também como um pesadelo. Não se deixe intimidar por isso! Deixar de lado os preconceitos e participar de degustações trarão grandes recompensas. O vinho italiano tem sim acidez alta – é típico das uvas italianas e ingrediente perfeito para a gastronomia, além de dar vivacidade ao vinho! Os taninos são marcantes? Pode ser que o vinho precise ser guardado por alguns anos para amaciá-los (um bom exemplo é o já mencionado Barolo) ou um prato de carne rico em fibras para equilibrá-los. Não gosta de vinho doce? Eles são divinos para acompanhar sobremesas!

Pronto: você já tem todos os motivos para amar a Itália! Veja algumas recomendações de vinhos italianos: